sábado, 28 de junho de 2014

Autocontrole e autoconhecimento - Parte 1


Algumas perguntas e respostas.

 O que é Yoga?

Yoga, em resumo, é viver em paz consigo próprio, mantendo mente, corpo e alma em harmonia. Sem ser escravo da mente, nem displicente do corpo ou da alma. Todo nosso comportamento deve ser observado e cuidado por nós mesmos. Essa é a explicação resumida da, digamos, filosofia do Yoga. Na prática ela é um sistema de exercícios físicos e respiratórios, técnicas de meditação e relaxamento.

 Yoga é religião?

Não, não é. Sua referência no mundo é a Índia, e isso faz as pessoas pensarem tratar-se de Hinduísmo, ou Budismo. Mas não é. É parte integrante de escritos e ensinamentos muito antigos chamados Vedas.
 


Quem faz yoga come carne? 

Pode comer, mas pra quem pretender deixar de comer, a prática ajuda bastante a fazer essa mudança no seu tempo, de uma forma tranqüila. Professor Hermógenes diz: a natureza não dá saltos, mude aos poucos. Isso funciona também para qualquer outro hábito que se deseje abandonar ou diminuir (cigarro, álcool, comida ou preguiça em excesso, doces, etc).
 


Yoga não é muito parado? 

Existem diversas modalidades de Yoga, atualmente. Algumas mais suaves que as outras. Eu transmito o chamado Hatha Yoga, e entre uma postura e outra, fazemos algumas sequencias de movimentos combinados  com a respiração, o que é chamado de Vinyasa. Normalmente minhas aulas são puxadas. A primeira modalidade que eu pratiquei pra valer é chamada de Power Yoga, são os ásanas – posturas do Hatha Yoga só que feitos num ritmo mais intenso, e mais rápido. Talvez por isso, minha tendência seja uma aula que exija um pouco mais da pessoa que está bem para aquilo. E sempre que possível, prefiro adaptar a prática de acordo com o estado da pessoa aquele dia. Nem sempre o aluno ta disposto a uma aula puxada e o Yoga sempre estará disposto a ajudar, mesmo que você apenas pare e respire.
 


Como são os exercícios de respiração? 

Alguns são realizados durante a prática, combinados com os movimentos e outros são feitos em postura de meditação.


 Minha mãe/tia/vó disse que não pode meditar, porque quando você medita o mal penetra. Isso procede?

Não mesmo. O mal já mora dentro da gente, assim como o bem. O que talvez tenha gerado esse receio entre algumas vertentes religiosas, seja o fato de que esse mal às vezes pode aflorar durante a meditação, e assustar. Uma pena se isso ocorre, já que a melhor forma de se combater o inimigo (nesse caso, nossas próprias sombras) é encarando-o, conhecendo-o. Mas isso é uma mera opinião. Seja como for, a meditação nos volta para dentro, e  como não somos atingidos por nada externo e estranho a nós, não devemos ter medo. Nossa mudança depende dessa coragem de nos enxergar como somos, cada vez mais.  

 
O que é meditação?

Diferente do que se diz, meditação não é ausência de pensamento. É sim uma freqüência mental mais lenta, menos pensamentos e mais contemplação e por fim a presença apenas. Nos tornamos observadores da própria mente e não nos deixamos ser tirados do tempo presente pelos pensamentos. Estamos ali, respirando. Mesmo a respiração, numa meditação profunda, fica muitíssimo mais lenta, e não deve ser por nós controlada.
 


Eu não vou conseguir fazer, sou muito elétrico(a)/duro(a)/ansioso.

Pode ser que você tenha dificuldade, e não goste. Mas se não experimentar, não vai saber. E se não conseguir, não há problema algum, acontece. E um dia quem sabe, você tente de novo e dê certo. Eu não gostei nenhum pouco da minha primeira aula, que foi só de respiração e mantras. Hoje em dia adoro fazer esse tipo de aula como aluna, muito embora não a dê.
 


O que são mantras?

Mantras são entoações, normalmente enaltecendo a sabedoria, paz, harmonia, prosperidade, etc. A língua falada é sânscrito.
 


O que é o Om? 

Om é uma entoação que representa o todo, a união, o que sempre existiu e sempre existirá. Gosto de repetir um ensinamento que diz ser o som do sopro de Deus que se propagou para a eternidade quando Ele criou o Universo. Em sânscrito formado pelas letras A-U-M. É entoado no começo da aula, após um aquietamento. Sua vibração provoca uma gostosa sensação sobre nosso corpo.
 


Há contraindicações para a prática? 

Sim, há contraindicações de algumas práticas, para algumas pessoas. O aluno sempre deve passar por uma análise por parte do professor, para que este tome os devidos cuidados.
 


segunda-feira, 9 de junho de 2014

O sutil precede o denso.

No meu curso de formação, uma das minhas professoras sempre repetia essa frase.
Não é o tipo de frase que a gente compreende de primeira...é preciso um pouco de reflexão.
Também não é uma frase fechada, direta. É uma idéia que tem seus desdobramentos.
Sutil nos remete ao que é suave, pacífico, pouco palpável. Já o denso é o pesado, a matéria, o palpável.
Pensemos então em nossos pensamentos como o “sutil” da frase, e o nosso corpo como o “denso”.
Nem sempre temos pensamentos suaves, pacíficos. Na realidade, no dia a dia, em casa, no trabalho, no trânsito, no banco, normalmente o que mais nos invade são os pensamentos raivosos, impacientes ou intolerantes. Obviamente que há dias piores que outros.
Mas e daí, o que tudo isso tem a ver com o corpo? Tudo, simplesmente. Sentimentos tornam-se reações físicas quase que instantaneamente. Ouço muito alunos que reclamam de aperto no peito, ou frio na boca do estômago. Normalmente essas pessoas sofrem de ansiedade e estresse.
Desdobrando a frase com essa idéia: Pensamentos e sentimentos precedem, surgem antes das reações físicas.
A prática de yoga por nos colocar no presente momento, por nos fornecer capacidade de controlar nossa respiração e consequentemente nossa ansiedade, é uma poderosa ferramenta para que possamos neutralizar algo negativo que nos aconteça num aspecto sutil, antes que ele se converta no denso.
O yoga nos estimula 100% a desenvolver o autocontrole e o autoconhecimento. Identificamos mais facilmente algum comportamento destrutivo, ficamos mais atentos e nos controlamos, para não sermos controlados por sentimentos ou pensamentos que nada nos acrescentem e que sim, nos desnorteiem.
E como já diz um excelente ditado:

“Quem vence os outros é forte, mas quem vence a si mesmo é invencível.”

Reprodução, internet.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Yoga machuca sim!

Namastê, queridos.

Queria falar um pouco sobre os riscos de uma prática sem o devido preparo e a devida orientação.

Hoje em dia, com Facebook, Instagram, etc. a "exibição" passou a ser tentadora demais! Quase todos nós nos rendemos em alguns momentos.

Só que esses dias eu vi uma foto de uma pessoa realizando uma invertida sobre a cabeça de uma forma TOTALMENTE errada e, claro, perigosa!

Numa postura como essas, jamais o peso do corpo deve ficar sobre a cervical. Pensem, o peso todo do seu corpo sobre algumas poucas (e não feitas pra isso) vértebras!

A invertida sobre a cabeça é essa postura aqui,




e para ser feita corretamente deve apenas ter o "cabelo" tocando o solo, é assim que os professores gostam de dizer.

Precisamos ter a distância correta entre os cotovelos, manter os antebraços firmes contra o chão,  e toda a força deve estar concentrada na musculatura das costas, braços e core. Assim, buscamos não soltar absolutamente o peso do corpo sobre a cabeça. 

 Caso contrário, a compressão dessas vértebras pode provocar lesões, até mesmo hérnias, se houver repetição do erro.

E quem quer ter como resultado de um impulso de postar uma foto legal,  uma hérnia na cervical, que não tem cura? Acho que ninguém, né?

Então estejam atentos...

Digo com propriedade que yoga machuca porque eu já me machuquei. Isso aconteceu há quase três anos, durante minha formação.

E sabe o que me moveu ao ponto de me machucar? Meu ego, claro...sempre ele! Também quis me exibir!

Eu queria descer mais que todos na sala, numa postura chamada trikonásana, essa aqui: 




Resultado, uma dor no quadril que persistiu por quase 8 meses. Não consultei nenhum médico, fiquei de ir a um osteopata, mas felizmente, seguindo a orientação da minha professora de anatomia para "consertar o estrago" a dor sumiu, e eu acredito que tenha aprendido a lição. Mas a história poderia ter sido diferente e eu poderia ter tido uma lesão mais grave!

Nunca uma articulação deve ser forçada durante a prática, nunca! Uma lesão em articulação é muitas vezes irreversível!

Como dizia minha professora: a articulação é branquinha, frágil, devemos usar nossos músculos que são vermelhos, fortes!

Enfim, espero que ninguém tenha que se machucar para aprender!

E a lição mais importante da yoga tá justamente nessa não necessidade de mostrar nada pra ninguém! Uma postura só deve ser feita se nos trouxer bem estar, e se esse bem estar existir essa será linda, ainda que seja uma postura super simples, ou que a gente esteja no primeiro estágio.

Invertida sobre a cabeça é coisa séria! Sem brincadeira, muito menos exibição!

Deixe seu ego na porta!!



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Programação Novembro a Março 2014

Oi Gente!  Fiz um calendário de hoje até março de 2014!

Cliquem na seta azul para passar o mês adiante!

Qualquer dúvida entrem em contato.

Namastê


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ainda sobre religião.





Vira e mexe alguém aparece aqui na escola preocupado com a questão “religiosa” que se acredita existir na prática de Yoga.

Minha primeira e imediata reação é afirmar: Yoga não é religião.

E quando digo isso, quero simplesmente dizer: A prática de yoga, de forma nenhuma, vai te fazer ser desleal com sua religião (católico, evangélico, espírita, budista, etc). Muito pelo contrário, ela vai aumentar sua fé naquilo que te faz bem e te traz paz.

Essa é minha resposta básica, rápida e rasteira.

Mas às vezes o aluno quer saber mais!

E claro que há muito mais a ser falado, mas muito antes das divagações sobre um tema TÃO complexo que envolve muita história e cultura de muitos mil anos comecei a fazer a mim mesma algumas perguntas:

Você sabe o que é autopercepção? Você se percebe? Se conhece?

Identifica plena e pacificamente (sem duvidar, invejar) o BEM alheio?

Costuma ter consciência quando erra, ou quando age com algum sentimento negativo? (inveja, cobiça, luxúria, egoísmo, raiva, etc)?

Tem o hábito de contemplar a natureza, que podemos chamar de criação divina?

Para falar sobre religião acho fundamental elevar os sentimentos, e buscar a sinceridade mais pura do coração.

Porque se você se deixa levar pelo que você lê, ouve, vê e não pelo que você sente, você não vai atingir o objetivo de toda religião que é nos RELIGAR ao divino. Você vai fingir, apenas. É comum que a religião nos seja imposta, normalmente dentro de nossa família, mas também podemos nos influenciar por amigos.

E se isso acontece, a pessoa acaba se tornando intolerante. Ela levanta barreiras em torno de si, para que nada abale a convicção que se esforça pra ter.

Agora quando a pessoa segue uma religião com toda sua alma e coração, TUDO vai BEM. Conheço ‘espécimes’ assim de muitas religiões diferentes! Pessoas que me inspiram e me ensinam muito! E que me respeitam, assim como eu sou, assim como meu vizinho é, e assim por diante.

Após essa breve reflexão, apontemos então para uma questão muito controvertida na prática de Yoga, a meditação!

Em síntese, seu efeito orgânico (biológico, físico, racional) sobre o corpo é de fazer com que o cérebro produza ondas que são benéficas à saúde como um todo.

Sabem quando a gente joga pedrinha na água, aquelas ondas da água? Imaginem essas ondas mais aceleradas ou mais lentas. Então, existe uma velocidade ideal, nem acelerada, nem lenta demais. É esse estado que a gente pretende atingir com a meditação dentro da nossa cabeça.

Só que todos ouvem falar que meditar é ausência da pensamento. E algumas religiões se usaram disso para “viajar” de diversas maneiras, dizendo, entre outras coisas, que o maligno se aproveitaria dessa situação de ausência de pensamentos para penetrar na cabeça das pessoas.

É uma coisa tão ridícula de se dizer! Voltemos às questões iniciais!

Ainda, como sabe-se que no Budismo pratica-se meditação (diversificadas, visto que existem muitas vertentes diferentes de Budismo) associa-se também a Yoga com o Budismo, e ainda, Buda como Deus.

É assunto que não acaba mais! Buda não é Deus. Buda é o nome recebido por aquele que atingiu a iluminação, aquele que percebeu a realidade sem ilusão, nem aflição.

E Yoga não é Budismo mas a prática da meditação acabou criando este ‘vínculo’ entre os dois.

Seja como for, nas nossas aulas, ainda dou muito pouca da meditação clássica. Pretendo ainda ter uma turma especial só pra meditar. Estou estudando bastante pra isso, estudando técnicas que nos ajudam a nos manter focados. Nas aulas normais, como o tempo é restrito, fazemos apenas um aquietamento da mente, e exercitamos bastante a respiração e os ásanas.

O assunto não está esgotado, eu jamais teria capacidade para esgotá-lo! Mas sempre terei disposição em atendê-los, ouvi-los, e quando possível respondê-los, e quando não possível, sempre vou adorar pensar com vocês e depois pesquisar mais!


Namastê

sábado, 24 de agosto de 2013

O exagerado foco no alinhamento correto atrapalha o “flow”?



Nestes meus 16 anos de contato com o Yoga, quase dois deles como professora, continuo conhecendo e aprendendo mais sobre as diversas modalidades de prática.

Neste último final de semana, senti na pele, como nunca tinha sentido antes, o que é a prática de Ashtanga, série I. É muito incrível o que os praticantes fazem! Eu não consegui fazer a série toda, mas fiz mais que a metade, e o suficiente pra sentir seus profundos e sutis efeitos.

Como a maioria das práticas, o Ashtanga surgiu do Hatha e se não tiver sido totalmente criado, foi muito aprimorado e difundido por Pattabi Jois, o guruji dos praticantes dessa modalidade.

Possui séries fixas em diferentes níveis. Sua prática visa progressivamente desenvolver a plena sincronização dos movimentos com a respiração, e sua execução sem interrupções, sendo a ordem dos movimentos de um significado especial e profundo para o corpo. Por exemplo: uma mesma articulação alongada em diferentes sentidos, ou ainda movimentos diferentes que estimulem o bom funcionamento de um determinado órgão. E tudo isso num passo a passo rigoroso que tem como destino final a libertação, a paz plena.

Alguns consideram o Ashtanga como uma prática "austera" pelo excesso de rigor.  É tipo assim: depois primeira inspiração no Surya A, só pare exalando em Savasana. Em média, uma hora e meia depois. Sim, uma hora e meia, sem o aquecimento inicial! E esse seu requisito pra ir pra série II.

E é aí que entra a pergunta título: a busca pelo alinhamento atrapalha o fluxo contínuo dos movimentos?

E a resposta é: SIM, CLARO!

Num caso como o de Ashtanga, o praticante precisa ter uma familiaridade muito grande com as posturas, senão é muito grande o risco de se machucar se quiser acompanhar o flow-fluxo que a prática exige.

Contudo, queridos alunos, aqui, somos todos iniciantes. Estou começando aqui em Itararé. Vocês estão começando. Já há alunos exemplares que me enchem de alegria e entusiasmo, mas estamos começando!

TODAS as posturas de yoga exigem um alinhamento correto, dos pés à cabeça. Esse alinhamento muitas vezes é natural e fácil, outras vezes não. É preciso tempo para chegar lá, para aprender a distribuir o peso pelo corpo, trabalhando toda musculatura e protegendo todas as articulações.

Daí entra a profe chata aqui. “Mais pra cá! Menos! Aqui, aqui...mantém, contrai os bandhas...” Por favor, eu peço que se eu exagerar nas correções e acabar atrapalhando vocês, me avisem! Cada um é cada um, tem gente que gosta mais, outros menos...conto com vocês!

Muitos de vocês sabem meu profundo interesse pelo método Iyengar! Diferente do Ashtanga em relação ao fluxo-flow da sequência, já que paramos o tempo todo para corrigir as posturas, visto que se busca o alinhamento "perfeito" e essa perfeição é diferente para cada corpo. Mas, claro que também busca desenvolver uma prática fluída dos movimentos, o que acontecerá naturalmente, após o corpo se habituar às poses e puder fazê-las sem o foco exclusivo no alinhamento.

Acho incrível o passo a passo, acho fundamental o sentir cada postura-ásana em sua plenitude, com todas as células do corpo focadas no objetivo final, mas principalmente nas percepções sutis.

Mas também, acho mágico o fluxo-flow do Suryanamaskar, executado e respirado com coordenação-vinyasa. E isso eu já passo pra vocês! “Inspire-eleve os braços, exale-solte o tronco à frente, inspire-eleve só a cabeça, abrindo o peito, etc.” E não esqueçam o susurro! A respiração ujjayi.

Conclusão: a de sempre! Tempo, dedicação, paciência, persistência e MUITO amor! Para todos nós!

E, por enquanto, vamos continuar praticando a base da prática com um Hatha Vinyasa bem delícia e com o passar do tempo, vocês também terão suas próprias experiências com as diferentes e mais específicas modalidades.

Namastê